terça-feira, 23 de setembro de 2025

Passarinho o bastante

 Depois de um certo tempo em paragens francesas, que tanto, tanto, mais tanto amo,

voltei pro Brasil um tanto quanto gonçalvina.

Senti falta dos passarinhos. Da profusão deles, na verdade.

Como de fato nossa terra é jovem, ela é, portanto, mais sons e barulhos.

É mesmo verdade a máxima " As aves que aqui gorjeiam,/Não gorjeiam como lá". Mesmo por que, não existem tantos passarinhos... O Velho Mundo é mais circunspecto, até no ar. Não que não seja alegre. É! De uma alegria mais silente, pousada, heroica.

A alegria pueril e absorvida pelo arco-íris na caneta esferógrafica é genuinamente brasileira. Bem como, o fato de dizer que amamos (o tempo todo). E que estamos felizes de estarmos juntos.

E a quantidade de passarinhos que voa veloz e inconsequente, no Brasil, canta a toda hora: 

Somos vivos! Somos meninos! Somos vivos! Somos meninos!  

Somos os meninos que brincam e dizem cantando e voando que somos felizes e vivos de tanto vôo.

Sentirei falta dos altivos corvos parisienses. Os que fazem seu petit déjeuner en plein air da carne morta de passarinho anônimo. São belas aves velhas! Mas, não são passarinhos!

Vimos algum bando de pardais e os familiares pombos. (Alguns enormes).

Mas, outra vez e de novo:

Não são os nossos passarinhos!


Os nossos, eles são passarinhos o bastante para cantar muito alto!







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