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terça-feira, 10 de outubro de 2017

Hoje

"De amor em amor, vivo instantes verticais"
(Roland Barthes)

HOJE é outra vez dia para revisitar as ilusões em alto mar.
Imaginação tendendo sempre
a derivas

Há um nevoeiro sobre aquilo que sinto
e muita possibilidade de silêncio.

Só
com as águas calmas como num rio
me balanço entre o que imagino e
o marulho fictício do que um dia predisse.

Marinheira sem remos, minhas mãos tocam apenas a água na sua versão fria.
Adiante barco solto

Aprendo agora  a estar entregue às gotas da chuva.
Bálsamo fosco que edulcora feridas, cortes, 
a imensidão indefesa.





quarta-feira, 10 de maio de 2017

Variações

Houve muito vento.
Vento. Vento forte. Ventania!
De uma ventania de bater janelas velhas e moças.
Foi como contemplar a força da natureza enquanto descontrole.
Pobres folhas tenras... pobre renda portuguesa... pobres folhas sem nomes... pobres folhas secas e bastardas.
E de ventania fez-se ciclone às vezes. Girando casas e vacas. Vitrolas, moscas desavisadas e também passarinhos.
Meu cata-vento manco. De pás inválidas.
Poeira. Terra ainda cobrem os olhos de fuligem
e os olhos fixos de braços cruzados.
É como contemplar a beleza das tempestades. A beleza dos furacões transtornados pelo efeito concomitante das brisas.
E o galo dos ventos não anuncia a hora.
E a rosa dos ventos fica zonza com tamanho barulho de sopro.

Houve muito vento.
Vento. Vento forte, vento havia.
E ainda há tempestades de papel de seda
com toda a escrita.

"Tempête de neige et mer" - William Turner