sexta-feira, 10 de outubro de 2025

Paris

 Monotemática. À primeira, segunda e terceira vistas muitos cafés.

Muitos. 

E a disponibilidade, cor e chamariz das cadeirinhas:

o mesmo também.

E parecem ser as mesmas pessoas que ali sentam e frequentam.

Monólogos que se encontram,

e o mesmo olhar absorvido pela imponente arquitetura

que é famosa e célebre

porque vi em algum livro de história de que não me lembro.

(Aí, são as falas  dos turistas.)

E muitas fotografias - obviamente dos celulares.

E muitas boinas ambulantes, acima de olhos sempre prontos para a próxima atração.


E por que amar este lugar?

Eu não sei... coisa legal e coisa chata tem n'importe où

não importa onde!

Eu não sei... o meu olhar também é atraído pelo ar, mas daquele que se coloca diante e além da fachada célebre! Que é muito bonita, por sinal.

Aquelas pedras que já viram tanta coisa e se ruinaram e se reconstituíram e estavam ali me reconhecendo...


Por que amar Paris? E saber que dela me enjôo?


O saguão d'Opéra Garnier, em que lá se encontram lojas e belos objetos para vender.

Cheira à vaidade. Tão somente.

Se ainda houvesse outras notas no topo daquele teto...

Mas havia?


Verde e o azul do céu.


E aquelas ruas?

Largas? Menos encantadoras. Pavimentos cansados, fartos, mas ainda assim, eternamente entregues a mais passantes!


E aquelas outras ruas? As menos largas?

Em que posso sentir um frio secular? 

De que gosto tanto por que bem sei que me espreita?


Eu amo demais o que não vejo de Paris. O que intuo o que me fala...

As descobertas anódinas que, ao que me parece, são tão singulares... quase uns idiotismos!


Les fils de Caïn
(Paul Maximilen Landowski, 1906?)





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