sexta-feira, 5 de junho de 2026

Asas de celofane


 "je guette tout ce qui, émanant du monde inquiétant,

tour à tour menançant et complice, dans lequel je suis plongé,

viendra panser balsamiquement ou, 

au contraire ulcérer, cette blessure que je porte en moi, qui est moi."

(Gabriel Marcel - Homo Viator)









Ela mergulhou no lago incandescente da calêndula,

atraída pelo Sol-chama do mês de maio.

Atirou-se cega no encanto!


E,


embalsamada,

se renova ainda de luz, perfume e calor.



sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Diálogo com "Noções"

 Noções


Entre mim e mim, há vastidões bastantes

para a navegação dos meus desejos afligidos.


Descem pelas águas minhas naves revestidas de espelhos.

Cada lâmina arrisca um olhar, e investiga o elemento que a atinge.


Mas, nesta aventura do sonho exposto à correnteza,

só recolho o gosto infinito das respostas que não se encontram.


Virei-me sobre minha própria existência, e contemplei-a.

Minha virtude era esta errância por mares contraditórios,

e este abandono para além da felicidade e da beleza.


Ó meu Deus, isto é a minha alma:

qualquer coisa que flutua sobre este corpo efêmero e precário,

como o vento largo do oceano sobre a areia passiva e inùmera...



(Cecília Meireles - livro Viagem, 1939)


................


Arrisco-me na proposta "Entre mim e mim". Com a mão esquerda apoiada no queixo. E os meus olhos sobre muitas direções...Por que os desejos sempre são afligidos? Quanta razão!

Assusto-me com as "naves revestidas de espelhos". Já há tanto mar! Mar todos os lados! E agora? Que elemento investigo o que me atinge neste instante? O silêncio.

Qual será o "gosto infinito das respostas que não se encontram"? Gosto de suspensão, de um eterno luto que agora se assenta... gosto de nada?

O nada

Minha virtude é? Minha aventura?!

Minha virtude é caminhar me refazendo...Inconclusa, entregue ao coração do amor,

vário e surpreendente.

Tão simples em poesia!

Para lá, para lá que está por toda parte deste agora. 

Aqui imenso!

"Ó, meu Deus, esta é a minha alma": Jesus é meu paizinho! Tinha na blusinha vermelha de eu criancinha contempladora da procissão da corte do Divino Espírito Santo! O vestido das daminhas é de um azul tão celeste! E Maria anda sempre comigo! Por que é a titia.

Mas, esta é a minha alma: Qualquer coisa que chama, qualquer coisa que arde e vibra! E ilumina o que estou sendo. Ilumina de jeitos diferentes que às vezes estranho.

Eu que tenho medo de mim?

Minha alma não flutua mais sobre meu corpo de areia precária. Ela anda numas de se integrar a ele! Meu corpo de criança de 60 anos de idade. Meu corpo. Este que comigo fala a toda hora. E me pergunta sempre sobre alguma coisa...corpo professor-aprendiz! Como minha alma pequenina, tão afeita à

Imensidão.


domingo, 22 de fevereiro de 2026

Lilás


 A tristeza é arabesco rococó

férrea linha que arrebata

o indômito

frêmito da pressa...


de existir

sem quaisquer pontos de arremate.


como que fiapos soltos em franjas inconclusas,

como que teares cegos que dão formas,

a  devaneios de certas cores


de cinza e prata

d'alguns poucos veludos feridos, desfeitos na inteireza dos malmequéres das horas.

por pétalas esvaídas pelo jardim dourado e roxo!


Aurora poente.




sábado, 14 de fevereiro de 2026

Travessia

A dor-sol pulsa do lado direito da espera.

Meu coração recém-nascido se assusta

com os alfinetes da noite pontiaguda chuvosa.


Avó,

Tia,

 Mães.

Krishna e o mago do deserto.


Minha mão

Ao me fazer companhia,

E o coração já pode chorar 

o quanto queiram as suas dores.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Bem-te-vi (Vovó presente)


"O olhar caiu dos seus olhos, e está no chão, com as outras pedras,"

(Cecília Meireles - "Orfandade")



Bem-te-vi (Vovó presente)

À Fernandinha Meireles


Ouço a voz da chuva que chega

molhando a tarde que vai embora

na carona das nuvens.


A voz da chuva canta comovida

as cinzas líquidas de meigas cantilenas.

Não é lamento, nem chaga

é movimento.


Minha ternura se afeiçoa tanto a teus sorrisos!

Clara dentre o cintilar variado 

de muitas espécies de fogo!


Vaga-lumes rubros, amarelos, 

e cintilações 

de eternidades muito antigas!


Agora, 

Minha ternura fica infinda, bem diante de mim!

Neste instante em que toda a música da vida e da morte

Te abençoa.

segunda-feira, 13 de outubro de 2025

Àqueles que nos consolam - parte I (em prol da criatividade)

 Há muito tempo que percebo que encontro por aí algumas existências que me marcaram para o resto da minha vida. São pessoas com as quais encontro em situações que não imaginaria encontrá-las. Talvez, elas apareçam para me consolar da mesmice, para me dizer que a vida pode ser surpreendente (quando menos se espera).

Tento me lembrar desde quando isso me acontece...

Desde quando era criança?

Vizinhos...

Passantes...

Pessoas pelos trabalhos afora.


Jamais me esquecerei dos olhos azuis do Vô Dacunto - vizinho da casa onde moramos, enquanto a nossa estava sendo reformada... e de sua esposa, d. Maria. Por onde andarão esses dois, se já se encontram para trás e para frente do tempo?


E ainda tem o Elvis Jesus;

A doce senhora da saída do Pronto Socorro;

As damas do hospital - pelas quais nutro um amor eternizado e agradecido;

O passante que encontrei perto da Fontaine Wallace;

Os transeutes do metrô - africanos que mais parecem deuses;


E ainda tem mais gente! 


Essas lembranças merecem cada uma o seu texto.

Mas, hoje estou cansada, com relatório para fazer. E cumprir o prazo que os adultos, responsáveis e pagador de suas contas me sugerem.

Quis escrever essas palavras para que elas me consolem.

Para que eu não me torne "um escravo martirisado do tempo".

sexta-feira, 10 de outubro de 2025

Paris

 Monotemática. À primeira, segunda e terceira vistas muitos cafés.

Muitos. 

E a disponibilidade, cor e chamariz das cadeirinhas:

o mesmo também.

E parecem ser as mesmas pessoas que ali sentam e frequentam.

Monólogos que se encontram,

e o mesmo olhar absorvido pela imponente arquitetura

que é famosa e célebre

porque vi em algum livro de história de que não me lembro.

(Aí, são as falas  dos turistas.)

E muitas fotografias - obviamente dos celulares.

E muitas boinas ambulantes, acima de olhos sempre prontos para a próxima atração.


E por que amar este lugar?

Eu não sei... coisa legal e coisa chata tem n'importe où

não importa onde!

Eu não sei... o meu olhar também é atraído pelo ar, mas daquele que se coloca diante e além da fachada célebre! Que é muito bonita, por sinal.

Aquelas pedras que já viram tanta coisa e se ruinaram e se reconstituíram e estavam ali me reconhecendo...


Por que amar Paris? E saber que dela me enjôo?


O saguão d'Opéra Garnier, em que lá se encontram lojas e belos objetos para vender.

Cheira à vaidade. Tão somente.

Se ainda houvesse outras notas no topo daquele teto...

Mas havia?


Verde e o azul do céu.


E aquelas ruas?

Largas? Menos encantadoras. Pavimentos cansados, fartos, mas ainda assim, eternamente entregues a mais passantes!


E aquelas outras ruas? As menos largas?

Em que posso sentir um frio secular? 

De que gosto tanto por que bem sei que me espreita?


Eu amo demais o que não vejo de Paris. O que intuo o que me fala...

As descobertas anódinas que, ao que me parece, são tão singulares... quase uns idiotismos!


Les fils de Caïn
(Paul Maximilen Landowski, 1906?)





quarta-feira, 8 de outubro de 2025

Redécouverte

 Je découvre que je me redécouvre.

Pleine de nouvels outils

invisibles et magiques

un peu fous

tant qu'il n'y ait pas de formes.


Juste de nouvelles présences de moi-même!

Une sorcière dont les enchantements

me font un peu peur


mais, seulement pour ce moment...



Brasil?

 Maciez no ar que é horizonte

de extrema luminosidade

com que os olhos ainda se habituam a ver e sentir.


Excesso de vida,

variedade desnessária de tamanhos sorrisos!

Vozes ensolaradas, uma hora ou outra, às vezes queimam.


Triste demais;

Alegre demais;

Colorido demais;

Desbotado demais;


Escasso demais;

Grande demais.



Continente de almas 

e de dores.

Invenção à revelia daquele

lá no longe!


Do outro Canto do Oceano!

terça-feira, 30 de setembro de 2025

Tão somente metáforas

 Mostro-me a mim mesma,

por meio de metáforas.

Frankenstein,

Zumbi,

corredeira que deságua no meio da estrada de enxofre.


São tão somente metáforas

Professoras,

Profetisas,

Procissão das almas  de Todos os Santos.


Não as tema!

escute-as

contemple a técnica de pinceladas à maneira de Van Gogh!


Elas assustam!

E são tão belas...


terça-feira, 23 de setembro de 2025

Passarinho o bastante

 Depois de um certo tempo em paragens francesas, que tanto, tanto, mais tanto amo,

voltei pro Brasil um tanto quanto gonçalvina.

Senti falta dos passarinhos. Da profusão deles, na verdade.

Como de fato nossa terra é jovem, ela é, portanto, mais sons e barulhos.

É mesmo verdade a máxima " As aves que aqui gorjeiam,/Não gorjeiam como lá". Mesmo por que, não existem tantos passarinhos... O Velho Mundo é mais circunspecto, até no ar. Não que não seja alegre. É! De uma alegria mais silente, pousada, heroica.

A alegria pueril e absorvida pelo arco-íris na caneta esferógrafica é genuinamente brasileira. Bem como, o fato de dizer que amamos (o tempo todo). E que estamos felizes de estarmos juntos.

E a quantidade de passarinhos que voa veloz e inconsequente, no Brasil, canta a toda hora: 

Somos vivos! Somos meninos! Somos vivos! Somos meninos!  

Somos os meninos que brincam e dizem cantando e voando que somos felizes e vivos de tanto vôo.

Sentirei falta dos altivos corvos parisienses. Os que fazem seu petit déjeuner en plein air da carne morta de passarinho anônimo. São belas aves velhas! Mas, não são passarinhos!

Vimos algum bando de pardais e os familiares pombos. (Alguns enormes).

Mas, outra vez e de novo:

Não são os nossos passarinhos!


Os nossos, eles são passarinhos o bastante para cantar muito alto!







domingo, 10 de agosto de 2025

Coração aprendiz

 

"As plantas ensinam mais suaves coisas. 

Elas mesmas não resistem à grandeza do oceano, e entram numa triste melancolia,

feridas pelo vento implacável das praias, 

e oprimidas por esse ambiente salino que o mar propaga tão alto e tão longe."


(Cecília Meireles - "Nossas irmãs, as plantas")




No coração, o mar

Revoltou-se de repente. Pois um ciclone inesperado soprou muito forte.

E a grande onda se precipitou sobre ele. Este coração de criança no jardim de sol, sombra e babosas.


Assustado, mas, corajoso

O coração bateu muito forte. Desesperado. Como um galope cego na estrada da noite sem cor.

Bateu forte

e forte

gritou, entoando o nome do Mestre da Luz de mãos abençoadas e benfazejas.

Gritou seu nome, mesmo se afogando de medo.


O coração botou pra fora de casa o terrível monstro marinho, que nada tinha a ver com seu jardim de infância.

Bastante molhado de sal, ele espera o sargaço diminuir

e, aos poucos, as plantas e as flores retomarem seu curso cíclico e colorido.


terça-feira, 26 de novembro de 2024

Aquele clima

 As emoções. Ah, as emoções...

não são tão criativas. 

Só variação do mesmo tema.


Acordei.

Coloquei alguns baldes novos sob goteiras velhas.

Não! Não consegui reparar o teto da melancolia. Sempre pingando.

E faz frio! 

E está escuro! 

E eu me sinto, novamente, 

sozinha

E a janela se abriu, de novo, com o vento que venta sempre do mesmo lado. Só que mais bravo!


Fui tentar fechar a janela que vi encupinzada em hora tão imprópria. E o que levei foi uma bordoada!


Respiro,

 Fecho os olhos,

Outra vez.

Tudo é ilusão.



domingo, 4 de fevereiro de 2024

sem pé, nem cabeça

 A pequena donzela acredita em certas invenções que a fizeram entender - por via de mão única - o que é o amor. É exigente, em sua expectativa de jovem coração sentinte. Excessivamente magoado, pois o mundo amoroso é outra coisa que descobriu que não sabe.

A jovem dama aprende, lentamente, a caminhar descalça. Disposta da metade do séquito de seus pensamentos fiéis na obsessão por dominar a natureza de tudo o que conhece. Mal. 

Por vezes, esta mulher petite fille deseja o colo soberano de todo o sol no azul. Luz somente para ela. Mas, a luz é de campo e não de jardim. Mãos monárquicas com gesta de roça. Semear, adubar. Tempo certo de colheita.

Cafezal.

Perdeu-se. Desacostumada no não ter. Ou ter de outro jeito. Ser de outro modo é capinar.

sem o esforço de se esperar somente o que sequer... pois tudo é caminho.

sexta-feira, 20 de outubro de 2023

indiferença olfativa

Sinto-me isolada pela incapacidade de não sentir o mundo

pelos seus cheiros.

Sinto-me entristecida. Um pouco desumana. Posto que me esvaio também em desafeto.

Degusto o frio, o quente. Sem mais, nem menos.

Não consigo alegrar-me

tudo é uma interminável indiferença insípida. enquanto espero cercada por este definitivo ornado de nada.

Toda a experiência se encapa de cinza.

Esqueci-me de todas as outras cores. nem me lembro se algum dia existiram mesmo na minha existência.

Me esqueço. Tão sozinha.Inumana. 

Um restolho de pó.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2023

Toque de recolher

 A ansiedade toca sua sirene ensurdecedora.

Possibilidade de bombardeio.

Onde, se tudo se encontra já devastado?

Escombros em ocos imaginários.

Torpedos de canções de ninar.

choros de terra seca.

Pó de barulho

Sobressalto inerte.

meu abrigo de papel celofane

minha solidão se intercala na companhia de toda orfandade do mundo.


sábado, 26 de novembro de 2022

A prima Estrela

 Desde criança, quando ela nos visitava no interior, sempre pude enxergar sua estrela. Pois era um rastro luminoso de vida que acontecia.

Embora o amor se chama Rosa, Elisa sempre foi um deslumbramento. Amava e amo seu perfume. Seu sorriso vivo, seus lábios escarlates, suas unhas em combinações rubras, intensas e de novo vivas.

Houve uma tarde de chuva repentina. Houve um saco de supermercado como chapéu na cabeça, retornando pra casa da avó. Risadas de criança pela rua! Houve alegria. Houve vida outra vez. Houve muitas visistas às suas primas e eu, criança, me sentia participante de sua vida. Me sentia viva junto de você.

Sua visita sempre me foi um presente de alegria. E de novo o perfume inconfundível, a beleza singular. De um estonteante simples, ágil, sorridente, sonoro, bondoso...

Depois de algum tempo, Elisa Estrela modalizou esse brilho todo. Mesmo a desilusão, a meu ver, perdia terreno quando a ela fazia companhia constante. Numa ocasião, momento em que fui eu a visita em sua casa, de retorno pro interior, chorei muito. Pois era cúmplice o sentimento de orfande e de abandono. Quis tanto que seu percurso incandescente fosse outro. Mas, o que sei eu sobre sua vida, Elisa Stela Estrela?

Creio que nunca verei tanta vida de novo em alguém. Tanta intensidade e franqueza. Tanta entrega. Por isso, as lágrimas calam minha garganta que,  dolorida e muda, vai me modificando outra vez.

Quero que saiba que a amo. Que sempre a  amei. E que pra mim, você é a prima mais legal. Embora, o amor tenha o nome de Rosa Maria.

Em meu ser o seu perfume. Em minha vida a sua intensidade brilhante, tragicamente divertida. 

Maravilhosa de tão brilhante!

Eu amo você. Até o derradeiro ano-luz desse meu existir pequenino, humilde, desamparado no momento. Eu amo você, prima Elisa Stela Estrela.

Obrigada por incandescer a minha vida!

Sua,

Marcinha.



quinta-feira, 22 de setembro de 2022

Devaneios

 Estar mais consciente de minha inerente condição de exílio... Optar por ela. Conhecê-la mais a fundo.

Desde que me conheço por ser, conheço bem os aspectos sombrios e dolorosos dessa jornada. Sempre me deixando envolver somente pelas sombras, sem que calmamente eu optasse por conhecer novs aspectos dessa experiência. Outros silêncios chegam agora até mim.

Ficar na autocompanhia, como ensina Montaigne. Só que sem teorias. Ora absurdada, ora esclarecida, ora temerosa,  ora triste, ora brava, ora renascida. Conhecendo em mim o que um dia conheci lendo.

Talvez algumas maravilhas incandescentes aparecem-me num instante. Os ramos festivos dos pinheiros. Seus velhos braços familiares revisitados sob ângulos nublados, frescos, internos... Por que perder isso? Não! Agora insisto em esperar e continuar meus movimentos neste percurso.

Reassumir apressadamente personagens infantis e sênis, sob o teto conhecido do meu lar talvez seja desertar. Pois optar por  única via, talvez me seja restringir.

Opto por reverenciar a exilada. A que anda, caminha, a que vaga, vaga aprendendo-se no mundo que é grande. Tão grande! Tão vasto. E passageiro em meus recônditos.

Aceito solenemente, a dádiva doidivanas
do que sou!


Obrigada por brincarem comigo.

Araraquara, 22 de setembro de 2022

                                                     

quarta-feira, 14 de setembro de 2022

Instantâneo

 Meteorologia interna do momento:

faz sol. Doce. Aqueles raios amenos na imaginação.

Diria um sol do fim dos tempos. Trombetas em algum lugar.

mas faz silêncio.


Não é sol do meio dia. Nem tampouco de amanhecer.

É sol de hora nenhuma. Aquela volta do ponteiro inexistente.

É bom.


De repente, aquela nuvem... aquela!

Não é nuvem de chuva. Não é nuvem esperançosa. Não é nuvem de nada.

O céu foi inventado também

e apagou-se por alguns instantes.


Ah! que medo dessa nuvem velha conhecida. Tão velha quanto o tempo que me desconheço.

Talvez seja malsã: diz a imaginação

Talvez não.

E eu é que sei?!


Sei que é aquela nuvem que me põe medo porque sei que aí vêm minhas perguntas.

E aquelas tentativas de "eu estou bem!" "eu estou bem!" "eu estou bem!" "Cadê o sol"??? "Cadê o soooollll?"

Venta num suspiro. Com raspas de limão.

Espera o olhar apoiado no cotovelo esquerdo.

Calmaria

Até já esqueci se vai chover.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

O novo normal

 

Descendo embarcados num carrinho de ‘Montanha Russa’ enferrujado:

sem paisagem do alto,

com o trilho todo encarquilhado,

e a criança sozinha, sem cinto de segurança.

 

Isso tudo é, de certo modo, algum tipo de adrenalina reversa?